Poucos profissionais sabem que chegar a um cargo de comando é a parte mais fácil da missão de quem deseja se destacar profissionalmente, visto que os desafios começam, de fato, quando você se torna líder. Status e salário são apenas benefícios que, a depender do perfil do líder, tornam-se ínfimos frente aos desafios diários que a liderança traz.

Há muito tempo e para a maioria dos profissionais, sinal de sucesso na carreira é chegar a um posto de liderança. Não é difícil encontrar jovens que têm a pretensão de alcançar o posto mais alto de comando dentro do setor em que atuam ou mesmo na empresa, além do crescimento exponencial de empreendedores brasileiros (pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor mostrou que o país atingiu o resultado de 38% na Taxa de Empreendedorismo Total).

 

Mas o que poucos destes profissionais sabem é que chegar a um cargo de comando é a parte mais fácil dessa missão, visto que os desafios começam, de fato, quando você se torna líder. Status e salário são apenas benefícios que, a depender do perfil do líder, tornam-se ínfimos frente aos desafios diários que a liderança traz.

Aqui eu elenco três coisas que pouca gente fala sobre o lado B da liderança, e que precisam ser levados em consideração por quem quer assumir um cargo de chefia. Ignorar estas questões pode levar você e a sua empresa ao fracasso, criando desmotivação geral e a falta de habilidade em lidar com as intempéries da rotina profissional.

Exposição: você sempre será o alvo, seja de críticas, cobranças ou dúvidas, quando assume o posto de líder. Não vai mais passar despercebido um dia sequer nem vai poder deixar de tomar partido em todas as questões que envolvem a rotina da sua equipe. E estas questões podem ser as mais insignificantes, como o lugar que cada um ocupa na distribuição dos postos de trabalho, até a falta de entendimento entre os colegas. Se não estiver disposto a ter seu nome na roda do cafezinho, a ser acionado o tempo topo para a resolução de conflitos ou ser chamado a toda hora para opinar, tomar partido e definir os rumos, é melhor repensar. É no líder que se acumulam as questões diversas da empresa, das mais importantes às mais triviais. Você deixa de sentar na sua cadeira e fazer só o seu trabalho para ser espelho de toda uma equipe.

 

Caminho solitário: ter essa exposição não significa que você vai atrair a evidência que deseja. Tomar decisões muitas vezes é um processo solitário. Nem sempre a equipe quer o chefe nas comemorações, nem sempre você vai estar cercado de amigos no trabalho e quando tiver que definir imbróglios, como demissões, por exemplo, perceberá que estará sozinho nessa. Isso significa que ser líder exige uma força a mais para se manter motivado, sem esperar da sua equipe a melhor das recepções. Para se ter uma ideia dessa realidade, a 17ª edição da pesquisa Carreira dos Sonhos, do grupo Cia de Talentos mostrou que apenas 54% dos jovens, 55% da média gestão e 63% da alta liderança confiam nos seus CEO’s. Ou seja: quanto maior o cargo, mais solitário é o caminho.

 

Nunca será suficiente: porque um líder precisa estar em constante evolução, deve estar no cerne da inovação e não pode, em momento algum, deixar de se atualizar. Além do próprio trabalho, do segmento em que atua, precisa estar atento a questões legais, regras trabalhistas, novo perfil de profissionais que chegam às empresas, mudança no comportamento das equipes, novos objetivos que passam a ganhar destaque na carreira de seus profissionais. Por isso mesmo que a liderança não é para todos – e está tudo bem evitar um cargo desses se você não se sente preparado para tal. Muitas empresas promovem erroneamente ótimos profissionais, excelentes técnicos a cargos de liderança como compensação pelo trabalho que exercem. O resultado? Grandes colaboradores tornando-se gestores medíocres. Há diversas maneiras de se alcançar o sucesso na carreira e você pode ser um ótimo profissional sem necessariamente ser um líder. Entender esse conceito e saber escolher ou não a carreira de gestor é sinal de sabedoria e inteligência emocional.

 

* Roberto Vilela, é especialista nas áreas de gestão e estratégias comerciais. Atua em todo o Brasil com clientes de médio e grande porte, com serviços de consultoria comercial, treinamentos vivenciais e palestras. É também autor do livro Em Busca do Ritmo Perfeito, em que traça um paralelo entre as lições que vivenciou no mundo das corridas e o dia a dia nos negócios. Escreve quinzenalmente neste espaço. Contato: roberto@megaempresarial.com.br.