Existem registros concretos de que existiu um William Shakespeare nascido em Stratford-upon-Avon e estes se encontram preservados até os dias atuais. O fato é que os dados sobre Shakespeare são poucos. E pouca informação gera milhares e milhares de teorias.

Existem registros concretos de que existiu um William Shakespeare nascido em Stratford-upon-Avon e estes se encontram preservados até os dias atuais. O fato é que os dados sobre Shakespeare são poucos. E pouca informação gera milhares e milhares de teorias. Que ele não tinha cultura para tanto, que o seu texto era muito parecido com Marlowe, Francis Bacon, etc, etc.

Nem mesmo seu rosto é consenso. No início deste século, a jornalista canadense Stephanie Nolen anunciou a descoberta de uma pintura de 1603 que seria então o único retrato legítimo do bardo. Depois de ser publicada pelo jornal “The Globe and Mail”, a reportagem se tornou um livro, publicado em 2004 no Brasil com o título “O Rosto de Shakespeare”. Stephanie busca identificar em que medida um quadro com o tal novo rosto do bardo, cujo atual dono é um canadense e vizinho da mãe da jornalista, poderia ser considerado como a única pintura do dramaturgo inglês feita em vida. O livro possui uma reconstituição de época interessante e revela alguns detalhes e sugestões de como pode ter sido a vida do nosso prezado Will.

Já o espanhol Fernando Martínez Laínez vai mais pelo lado da imaginação no capítulo “O homem que pode ser Shakespeare” de seu livro “Escritores e Espiões”, no qual aborda onze autores que teriam uma outra atividade além da escrita. Laínez aponta que Marlowe teria forjado a própria morte para continuar escrevendo sob o pseudônimo William Shakespeare. E tudo porque Marlowe era espião. Apenas exercício de criatividade ou mera especulação?

Em verdade, para se responder a questão “Shakespeare era Shakespeare?” é preciso ter fé, acreditar, ponderar e opinar sobre o que temos de informação sobre o tema. No entanto, quaisquer dúvidas sobre a figura do bardo não interferem no que é mais precioso: sua obra. Se é importante saber quem a escreveu? Suponho que sim. A vida de um autor sempre tem importância naquilo que lhe é creditado. Shakespeare escreveu no tempo certo as palavras certas, por isso é tão difícil alguém superá-lo.

Alguém foi Shakespeare, independente se foi o próprio ou outrem. E é esse alguém que é o Shakespeare que conhecemos hoje. O resto é história. Ou melhor, literatura.

 

* Evandro Duarte, atuação nos segmentos de assessoria cultural, empresarial e política. Trabalhei em Assessoria de Imprensa nas prefeituras de São José e Biguaçu. Fui editor-chefe do Jornal Independente em Biguaçu. Produzi o programa Ponto de Encontro na TVN em São José, sobre cinema. Fiz assessoria para curtas-metragens, bandas locais e outros produtos culturais na Exato Segundo Produções em Florianópolis. Escrevi entre 2009 e 2017 crônicas semanais para o jornal Notícias do Dia em Florianópolis. Participo como cronista do site www.centopeia.info. Publico semanalmente no blog www.cronicasdoevandro.wordpress.com.