O ditado é popular. Você já o ouviu nalguma oportunidade. Pode até discordar dele, mas não deixa de compreender seu sentido. Talvez até mesmo o tenha utilizado de modo inconsciente, contrariando seus princípios mais íntimos. Mas não se culpe.

O ditado é popular. Você já o ouviu nalguma oportunidade. Pode até discordar dele, mas não deixa de compreender seu sentido. Talvez até mesmo o tenha utilizado de modo inconsciente, contrariando seus princípios mais íntimos. Mas não se culpe. “A primeira impressão é a que fica”, alguém vociferou prematuramente. E daí para cair na boca das pessoas foi uma mera questão de tempo e lugar.

Mas se as primeiras impressões são importantes para alguns no que compete às pessoas, façamos sempre uma ressalva destemida para as artes. Ou, mais especificamente, tratemos aqui com alguma gentileza dos impressionistas, para quem as impressões iniciais da vida, da natureza e das pessoas iam muito além de um encontro célere e frívolo. Não é por acaso que o movimento impressionista tenha sido batizado a partir da obra “Impressão: nascer do sol” de Claude Monet, terminada em 1872. Na pintura, a paisagem de um porto, com uma névoa azulada transformando as embarcações em objetos fantasmagóricos. Assim, sob certos aspectos, é a própria natureza ou, ao menos, as impressões de alguns sobre ela, quem rompe com a tradição vigente e, num estalo de genialidade, prepara o mundo para o moderno que também impressionará sobremaneira.

Mas como convém a toda ruptura feita com talento e responsabilidade, a consagração dos impressionistas não foi imediata. Monet, Manet, Renoir e outros tentaram em várias ocasiões entrar no que poderíamos chamar de “grande circuito” da época, então representado pelo Salon de Paris. Evidentemente, foram rejeitados por não se encaixarem ao que estava na tradição dominante, que exigia representações da mitologia grega, cenas históricas ou passagens bíblicas.

No ano de 1874, a Primeira Exposição Impressionista reuniu 165 pinturas de 27 artistas, incluindo nomes como Degas e Cézanne. Na sequência, foi criada a “Société Anonyme des Artistes, Peintres, Sculpteurs, Graveurs”. Ali estava um grupo que revolucionaria a pintura, num gênero preponderantemente paisagístico, que apelava à observação e à percepção.

Cores puras e dissociadas, objetos destacados pela forma singular que incide a luz e sem contornos definidos: Assim era captado o momento.

E que ótima primeira impressão!

 

Em destaque: Claude Monet – Impressão, nascer do sol. Foto: Reprodução

 

* Evandro Duarte, atuação nos segmentos de assessoria cultural, empresarial e política. Trabalhei em Assessoria de Imprensa nas prefeituras de São José e Biguaçu. Fui editor-chefe do Jornal Independente em Biguaçu. Produzi o programa Ponto de Encontro na TVN em São José, sobre cinema. Fiz assessoria para curtas-metragens, bandas locais e outros produtos culturais na Exato Segundo Produções em Florianópolis. Escrevi entre 2009 e 2017 crônicas semanais para o jornal Notícias do Dia em Florianópolis. Participo como cronista do site www.centopeia.info. Publico semanalmente no blog www.cronicasdoevandro.wordpress.com.