As vendas online devem crescer entre 10 a 15% em 2018. A previsão é da Ebit – empresa com informações do comércio eletrônico, pioneira na realização de pesquisas sobre hábitos e tendências de e-commerce no Brasil.

USO MAIOR DE SMARTPHONES E APLICATIVOS PELO CONSUMIDOR FAZ EMPRESAS INVESTIREM EM NOVA CULTURA DE NEGÓCIOS.


As vendas online devem crescer entre 10 a 15% em 2018. A previsão é da Ebit – empresa com informações do comércio eletrônico, pioneira na realização de pesquisas sobre hábitos e tendências de e-commerce no Brasil. Posição semelhante tem a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) que divulgou os números do faturamento do comércio eletrônico em 2017: foram R$ 49,7 bilhões, uma expansão de 12% sobre 2016. Outra dado importante: algumas redes varejistas já conseguem vender mais pela internet e aplicativos móveis do que em lojas físicas.

Essa mudança do consumidor no jeito de fazer as compras obrigou diversas companhias a se reinventar. Se antes os grandes investimentos eram feitos nas lojas tradicionais de ruas ou em shoppings, agora é preciso disponibilizar também todo o acervo dos produtos e serviços na palma da mão.

Ainda de acordo com as informações da Ebit, o crescimento das vendas no Brasil via smartphones e dispositivos móveis no primeiro semestre de 2017 foi de 35,9% em relação ao mesmo período de 2016. Já o volume financeiro aumentou 56,2%. Já Criteo, empresa global de tecnologia e marketing, aponta em levantamento feito no quatro trimestre de 2017 que o mobile responde atualmente por 48% das vendas do varejo online (web mobile e app) e que “22% de todas as transações em desktop no Brasil são precedidas de um clique em um dispositivo mobile”.

“É a tecnologia vindo ao auxílio do consumidor e do lojista dentro de uma nova cultura de relacionamento chamada ‘omni’”, explica Fabíola Paes, especialista em varejo e uma das estudiosas dessa nova forma de comprar e vender.

“O conceito de omnichannel faz com que o consumidor não tenha diferença entre o mundo físico e o off-line. Isso agiliza a vida do cliente, facilita os controles dos lojistas e gera mais lucratividade”, explica ela, que também é uma das sócias da startup Neomode, de Curitiba.

E boas perspectivas de crescimento não faltam. Segundo pesquisa da empresa IDC Insights, o consumidor omnichannel gasta até 40% a mais e torna-se mais engajado com a marca, comparado àquelas corporações que fazem a venda em apenas um canal. O engenheiro especialista em tecnologia mobile omnichannel, João de Souza, também sócio da Neomode, explica a razão:

“Dentro de uma cultura ‘omni’ o cliente pode escolher pelo celular o que lhe for mais conveniente e retirar na loja mais próxima por geolocalização; ele pode ainda estar dentro da loja testando o produto e efetuar a compra pelo site para receber em casa; ou pode também querer o produto no mesmo dia e pedir para outra loja lhe entregar em casa ou trazer para a loja onde ele se encontra para fazer a retirada”. “Ser ‘omni’ é conseguir atender a todas essas hipóteses, interagindo cada vez mais com o consumidor, compreendendo e atendendo suas necessidades”, reforça.

 

MERCADO INCENTIVA SURGIMENTO DE STARTUPS


A inovação que antes parecia coisa de ficção científica ganhou a palma da mão. Nos últimos 10 meses, segundo uma pesquisa do OasisLab (primeiro centro de inovação especializado em varejo do Brasil), em conjunto com a Startse, maior hub de startups do país, e a Neomode, o número de startups nacionais focadas em tecnologias voltadas para melhorar a forma de relacionamento com o consumidor subiu de 115 para 194. É o que mostra o estudo “Loja 4.0: Panorama das startups brasileiras do varejo – 2ª edição 2018”.

Segundo Fabíola Paes, responsável pelo OasisLab, a integração entre os pontos de venda on-line e off-line possibilita a criação de novos mercados para as empresas e isso significa alternativas extras para quem está interessado em crescer, mesmo em meio à crise.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

Fabíola Paes (OasisLab)
Foto: Reprodução

“A adição de 85 novas startups ao estudo mostra o aumento da tecnologia e novas macrotendências de inovação como logística, sustentabilidade e e-commerce, que traz muitas facilidades para o cliente e o varejista. Mais do que retratar profundas transformações na forma de comercialização de produtos no país, a pesquisa revela que embora a loja física ainda seja referência para o varejo, a cada dia aumenta a necessidade de interação com tecnologias digitais mais acessíveis e amigáveis para o consumidor, tais como smartphones, tablets, relógios conectados e óculos de realidade virtual”.

Para Cláudia Backes, gerente de Comunidade da Startse, a busca por um cliente satisfeito tanto com o produto, quanto com a experiência de compra, fez surgir um novo mercado. É aí que entram as startups que aparecem no levantamento. “Estudos como este nos mostram que o Brasil tem potencial de se posicionar em um mercado global nesta vertical. Temos muitas startups desenvolvendo negócios inovadores, na maioria resistindo aos primeiros anos de atuação, que representam a maior taxa de mortalidade no segmento. É muito bom perceber que o mercado parece estar se dando conta das suas fragilidades e apoiando as startups como parte fundamental da sua transformação para a Nova Economia”.

 

NEOMODE APOSTA EM OPORTUNIDADES MULTICANAIS


A Neomode, de Curitiba, especializou-se em criar uma plataforma na qual convergem todos os canais de vendas utilizados por uma companhia e o resultado logo apareceu. Em dois anos de atividades a empresa já atende clientes nacionais de vários setores como L’Oréal, O Boticário, Lojas MM, Havan, Padó, Escoteiros do Brasil, Ri Happy, Drogaria Onofre, Kids Brasil, Sterna Café, Grupo Martins, Amissima e Dufry.
Também atraiu investidores que acreditam na expansão dos negócios e investiram cerca de R$ 1 milhão no empreendimento.

Com isso, a Neomode pretende crescer 320% em 2018 e outros 120% até 2020. A equipe subiu de três para 20 profissionais.
Houve ainda outros passos importantes em 2018. Associou-se ao OasisLab e fez um aporte de investimento na Enfoca, startup especializada em chatbot, a fim de fortalecer seu ecossistema de inovação e entregar de forma mais ágil a melhor solução a seus clientes varejistas e consumidores.

Vencedora do Hackathon promovido pela L’Oréal Brasil em 2016, a Neomode ganhou projeção em 2017 ao ser apresentada a varejistas do mundo todo durante a NRF Big Show, a maior feira de tecnologia e inovação em varejo mundial, realizada em Nova York.