Além da concorrência habitual do mercado de trabalho, deficientes auditivos enfrentam outra barreira para conseguir uma colocação profissional. A dificuldade em interagir com colegas de trabalho era, muitas vezes, motivos para desistência na contratação.

EMPRESAS ASSUMEM O DESAFIO DE TENTAR REDUZIR DÉFICIT DE 40 MIL VAGAS DESTINADAS A PESSOAS COM DEFICIÊNCIA EM SANTA CATARINA


Além da concorrência habitual do mercado de trabalho, o assistente de infraestrutura, Jean Carlos Paes, também enfrentou outra barreira para conseguir uma colocação profissional. Deficiente auditivo, a dificuldade em interagir com colegas de trabalho era, muitas vezes, motivos para desistência na contratação.

“Além disso, por não conseguir me comunicar, acabava ficando isolado e não conseguia interagir com as pessoas”, conta.

Jean é apenas um exemplo entre milhares de pessoas que passam pela mesma situação em Santa Catarina. A realidade para ele só mudou quando ingressou na HBSIS, empresa de logística, de Blumenau, no último ano.

Para garantir, de fato, a inclusão no ambiente corporativo, a empresa foi além da contratação: proporcionou aos colegas aulas gratuitas de Libras. Foram duas edições e mais de 40 pessoas de diferentes setores formadas.

A companhia conta ainda com outros profissionais com deficiência que estão incluídos na rotina de trabalho.

”Temos um grande cuidado em relação a estas contratações porque o nosso propósito vai além do mero cumprimento de cotas. Nós queremos que de fato, as pessoas integradas ao time da companhia, possam contribuir com o seu melhor e crescer conosco”, comenta a gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional da HBSIS, Michelle Tribess.

As contratações, inclusive, seguem as diretrizes da constituição, previstas na Lei nº 8.213/1991. Há 26 anos em vigor, ela prevê que empresas com mais de 100 profissionais incluam em seus quadros a oferta de 2% a 5% de vagas para pessoas com deficiência. Em Santa Catarina, de acordo com o Ministério Público do Trabalho, são cerca de 42 mil vagas de cotas.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

FORMAÇÃO GRATUITA E RELACIONAMENTO COM O MERCADO


A difícil realidade da inclusão profissional vai além do estado. Atualmente, 45 milhões de brasileiros apresentam algum tipo de deficiência, o que equivale a quase 24% da população. Desses, apenas 1% está empregado – pouco mais de 403 mil -, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

E iniciativas provadas já fazem parte da rotina de muitos negócios, que pretendem facilitar o ingresso de PCDs no mercado de trabalho. É o caso do projeto Escola Inclusiva, promovido pela Viacredi, que engloba o Sistema Ailos, em parceria com o Sesi.

O programa, que começou em 2017, promove aulas gratuitas com lições que vão desde português e matemática até questões relacionadas ao dia a dia do mercado de trabalho. No ano passado, a inciativa formou a primeira turma, com alunos de Blumenau e Gaspar.

Entre os 18 formados, metade está empregada. Alguns foram contratados pelas próprias empresas provedoras do programa, como a atendente Jéssica Dalpiaz. Depois de oito meses buscando realocação profissional, ingressou no Escola Inclusiva para, mais tarde, completar o quadro de colaboradores da Viacredi.

”Não é porque somos diferentes que somos menos capazes. Com dedicação a gente consegue executar bem nosso papel e também ajudar na rotina das empresas”, diz.

Em 2018, o Escola Inclusiva vai formar duas turmas. A primeira já começou em julho e a segunda inicia em setembro. São três meses de aulas, com carga horária de oito horas semanais. Para participar é necessário ter mais de 18 anos, ensino fundamental completo e residir em Blumenau e região.

De acordo com a responsável pelo projeto do Sistema Ailos, Tatiani Cristina Buschirolli, o projeto se tornou uma oportunidade para que os participantes se desenvolvam tanto pessoal quanto profissionalmente.

“Queremos contribuir na promoção da justiça social e acreditamos que, por meio da educação podemos oportunizar as pessoas a terem qualidade de vida, oportunidade de trabalho e realização pessoal”, finaliza.