Muitos dos novos líderes ignoram lições importantes de quem acumula anos de experiência em cargos de gestão. A experiência é, sim, fundamental para se lidar com algumas situações comuns no dia a dia do líder. É ela quem nos dá, por exemplo, a tranquilidade necessária para lidar com momentos intempestivos ou mesmo acalmar a ansiedade pelo resultado, comum em quem acaba de chegar ao topo.

A pergunta acima, mais do que instigar uma reflexão acerca dos modelos de gestão que temos adotado em nossas empresas, tem um propósito claro: fazer pensar sobre as atitudes comuns em nossa rotina em cargos de liderança.

Há alguns anos não havia uma discussão tão ampla sobre liderança, o papel do líder e suas atitudes frente a equipe. Chefe era chefe e pronto, fosse ele bom ou ruim. Mas nos últimos anos – ainda bem! – podemos discutir novos formatos de gestão, que sejam condizentes com um mercado muito mais volátil, em que permeiam profissionais com novos anseios. Ser líder já não é tão simples quanto antes e é aí que vem minha resposta para a pergunta acima.

Sim, estamos carentes de boas lideranças. Sim, nossas empresas e nossas universidades infelizmente falham na formação de bons gestores. Mas, acima de tudo isso, são os próprios gestores que estão pecando em suas carreiras de liderança.  

Muitos dos novos líderes ignoram lições importantes de quem acumula anos de experiência em cargos de gestão. E esse é o primeiro ponto que acaba prejudicando o desenvolvimento de uma nova geração de líderes. A experiência é, sim, fundamental para se lidar com algumas situações comuns no dia a dia do líder. É ela quem nos dá, por exemplo, a tranquilidade necessária para lidar com momentos intempestivos ou mesmo acalmar a ansiedade pelo resultado, comum em quem acaba de chegar ao topo. Por isso, ouvir quem esteve à frente de equipes durante anos precisa voltar a fazer parte da cartilha dos novos gestores.

Outra questão que precisa ser levada em consideração é que o líder perfeito não existe. E tem muita gente se decepcionando com a própria performance porque idealiza um resultado impossível de se conseguir. Todos nós falhamos e é a forma como lidamos com o fracasso que irá nos tornar profissionais bons ou ruins.

Reconhecer os próprios equívocos é o primeiro passo para ajustar a performance em busca de resultados melhores. Muitos líderes, por soberba ou medo de perderem o respeito dos seus times, tornam-se arrogantes e, consequentemente, mal vistos, desrespeitosos e tóxicos com as próprias equipes, que se tornam menos produtivas e incapazes de resolverem até mesmo questões simples do dia a dia.

A temática da liderança e dessa carência que ela tem deixado nas empresas é longa. Tanto é que criei uma série de podcasts focada nesta temática, disponibilizada no Spotify e no Itunes. Mas fica aqui um questionamento: se estamos órfãos de bons líderes, há também a oportunidade de ascensão para quem está disposto a fazer diferente. Como você reage a este cenário?

* Roberto Vilela, é especialista nas áreas de gestão e estratégias comerciais. Atua em todo o Brasil com clientes de médio e grande porte, com serviços de consultoria comercial, treinamentos vivenciais e palestras. É também autor do livro Em Busca do Ritmo Perfeito, em que traça um paralelo entre as lições que vivenciou no mundo das corridas e o dia a dia nos negócios. Escreve quinzenalmente neste espaço. Contato: roberto@megaempresarial.com.br.