O segmento da educação superior passa por uma das maiores transformações das últimas décadas, com o desafio de oferecer ensino de qualidade focado no desenvolvimento de competências dos alunos, em um cenário de constantes transformações tecnológicas e de comportamento, além de questões de mercado como poder aquisitivo e redução dos financiamentos públicos.

O segmento da educação superior passa por uma das maiores transformações das últimas décadas, com o desafio de oferecer ensino de qualidade focado no desenvolvimento de competências dos alunos, em um cenário de constantes transformações tecnológicas e de comportamento, além de questões de mercado como poder aquisitivo e redução dos financiamentos públicos (caso das instituições particulares).

O impacto desse conjunto de fatores já pode ser comprovado em números, com o encolhimento dos cursos presenciais e avanço dos modelos a distância (EaD) e híbrido (semipresencial). Segundo o último Censo de Educação Superior, realizado pelo Instituto Nacional e Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as matrículas em EaD cresceram 17,6%, enquanto que o número de alunos nos cursos presenciais diminuiu 0,4%, em 2017 em relação ao ano anterior.

“É um caminho sem volta e a nossa previsão é de que, em 2020, os dois modelos (presencial e EaD) terão o mesmo número de alunos”, afirma Luiz Trivellato, diretor do Grupo A, com sede em Porto Alegre – hoje a relação está em 70% e 30%, respectivamente. O que move esse crescimento, segundo ele, é uma dobradinha simples: flexibilidade para os estudos e preço (os cursos a distância são, em média, 30% mais baratos do que os presenciais).

Com mais de 800 instituições de ensino em todo o país como clientes, o grupo oferece soluções na área educacional, incluindo plataformas de aprendizagem, produção de conteúdo, consultoria em gestão e editora. “O maior desafio das instituições hoje é justamente se adaptar a esse cenário”, diz. “E isso exige uma mudança cultural, não só na gestão, mas também na formação do professor, que passa a exercer outro papel”.

E é exatamente nesse ponto que a gestão de projetos ganha importância fundamental, com metodologia que permite o planejamento e a execução de todas as mudanças necessárias, com o controle preciso de prazos, custos e qualidade em operações de grande complexidade e envolvimento de um número expressivo de profissionais, boa parte deles de diferentes áreas, já que a cultura da empresa será remodelada e redirecionada a outro modelo.

No caso do Grupo A, por exemplo, tanto as estratégias internas do negócio quanto os serviços prestados a terceiros estão concentrados em um PMO (Project Management Office, departamento responsável por definir e manter os padrões de gerenciamento) com 15 profissionais atuando full time. “Sem isso, seria impossível dar conta de realizar todas as operações necessárias”.

Na contramão das evidências, instituições tradicionais insistem em se manter na mesma linha de atuação e com isso amargam perdas de alunos e queda de receita, o que tem trazido como consequência a demissão do quadro administrativo e acadêmico (também relacionada à Reforma Trabalhista aprovada no final de 2017). Vale pensar até quando irão se sustentar.

 

* Carla Pessotto, jornalista, com especialização em Jornalismo, mestrado em Literatura e MBA em Gerenciamento de Projetos. Escreve mensalmente sobre gerenciamento de projetos neste espaço. Contato: carlapessotto@gmail.com ou LinkedIn