Aos 32 anos, Jean Carlos Paes está no seu segundo emprego na área de tecnologia. Mas é o primeiro onde realmente se sente parte do time. Há dois anos começou a trabalhar como assistente de infraestrutura da HBSIS, empresa de tecnologia de Blumenau.

Em SC, só 47% das vagas dedicadas a pessoas com deficiências estão preenchidas


Aos 32 anos, Jean Carlos Paes está no seu segundo emprego na área de tecnologia. Mas é o primeiro onde realmente se sente parte do time. Há dois anos começou a trabalhar como assistente de infraestrutura da HBSIS, empresa de tecnologia de Blumenau. Nos primeiros dias, descobriu que 35 pessoas tinham feito o curso de Libras para que o deficiente auditivo pudesse se integrar. Mal sabia ele que o projeto teve mais de 70 interessados em participar.

A segunda turma de Libras já começou as aulas na empresa, que hoje passa dos 580 colaboradores em quatro unidades. A ideia é ter profissionais em todos os setores que estejam capacitados para se comunicar com Jean e com outros quatro profissionais como ele já contratados depois da sua entrada.

Em Santa Catarina, dos cerca de 40 mil postos de trabalho dedicados a esses profissionais, apenas 18,5 mil estão preenchidos de acordo com o Ministério do Trabalho. Empresas com mais de 100 colaboradores precisam dedicar de 2% a 5% das vagas para PCDs. De acordo com Franciele Koch, do DHO da HBSIS, o desafio não é apenas contratar, mas manter esses profissionais integrados e engajados.

“Tenho um amigo que é surdo e também trabalha numa empresa de tecnologia. Ele me relata o mesmo isolamento que eu sentia antes da HBSIS. Fico surpreso e muito feliz por saber que esse tipo de preocupação existe. Só me faz ter mais vontade de crescer
profissionalmente aqui”, relata Jean.

O coordenador de infraestrutura da HBSIS, Fernando Michels, nunca tinha trabalhado com alguém com deficiência. “Pensei que seria difícil conseguirmos manter o ritmo, já que a tecnologia é uma área que tem mudanças rápidas e que precisam de fluidez na equipe. Tanto o Jean quanto o time souberam quebrar a barreira da comunicação com esforço dos dois lados”, aponta.

Michels se comunica de uma forma tranquila em libras, embora não se considere em nível avançado. “O processo de aprendizado é o mesmo de qualquer outra língua: exige dedicação e aplicação. A vantagem na HBSIS foi ter um grupo que estava envolvido e conseguimos praticar com o Jean no dia a dia”, acrescenta.

 

Sobre a HBSIS

Especializada no desenvolvimento de soluções logísticas, outsourcing e sistemas de venda customizados, a HBSIS tem sede em Blumenau, unidades de negócios em Campinas (SP), Maringá (PR) e Sorocaba (SP) e projetos internacionais. São mais de 500 colaboradores e mais de 25 anos de experiência nas áreas de tecnologia e inovação. Grandes empresas, como Ambev, Unilever, BRF e Votorantim fazem parte do portfólio da companhia.

 

Em destaque: Jean Carlos Paes, que consegue se comunicar com os colegas por meio das Libras. Foto: Reprodução