Em março Florianópolis e São José comemoram aniversário e investem em ações para estimular a economia local, com foco no empreendedorismo. Ambas buscam identificar e valorizar vocações econômicas e, ao mesmo tempo, encontrar caminhos para que o crescimento aconteça de forma responsável e sustentada.

Florianópolis e São José comemoram aniversário e investem em ações para estimular a economia local, com foco no empreendedorismo


Poucos dias separam, em março, as comemorações dos aniversários de duas cidades irmãs e vizinhas, praticamente coladas uma à outra: dia 19, São José completa 269 anos, e logo depois, no dia 23, a Capital do Estado, Florianópolis, chega aos 346 anos. Especialmente nas últimas décadas ambas vêm esbanjando fôlego e disposição para o desenvolvimento e, para isso, buscam identificar e valorizar vocações econômicas e, ao mesmo tempo, encontrar caminhos para que o crescimento aconteça de forma responsável e sustentada.
Fundada em 1673 pelo bandeirante paulista Francisco Dias Velho, Florianópolis nasceu como o povoado Nossa Senhora do Desterro, e foi nela que aportaram, em 1750, os casais açorianos que deram origem ao povoado de São José da Terra Firme, hoje simplesmente São José. As histórias se juntaram da mesma forma que as fronteiras terrestres foram diminuindo ao longo dos anos, a ponto de atualmente serem imperceptíveis em vários pontos. Ampliou-se o território ocupado e cresceu o número de habitantes nas duas cidades: de acordo com as projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018 a população de Florianópolis chegou a 492 mil habitantes (o que corresponde a um aumento de 1,5% entre 2017 e 2018 e 22,5% na última década), e a de São José ultrapassou 242 mil.

Apesar da proximidade geográfica e do crescimento paralelo, mesmo que nas duas cidades os setores de comércio e prestação de serviços despontem também como bases da economia, São José quanto Florianópolis apresentam segmentos específicos muito fortes, responsáveis por grande parte da arrecadação de impostos. Enquanto a primeira abriga mais de 1,2 mil indústrias, a Capital é muito forte no turismo (é o segundo destino mais procurado no País) e na tecnologia, sendo que há alguns anos desponta como um dos principais pólos nacionais para startups e novas empresas.

De acordo com dados divulgados no ano passado pela Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), proporcionalmente a Capital é líder nacional de profissionais empregados na área da Tecnologia da Informação e Comunicação, com 25 trabalhadores em cada mil habitantes, e pelo terceiro ano consecutivo, em 2018 Florianópolis foi eleita a segunda cidade mais empreendedora do País (segundo o Índice de Cidades Empreendedoras, publicado pela Endeavor Brasil), ficando atrás apenas de São Paulo. Nesta avaliação foram considerados sete “pilares” (ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, acesso a capital, inovação, capital humano e cultura empreendedora), e a Capital catarinense foi destaque em quatro deles, alcançando a quarta colocação em cultura empreendedora, terceira em acesso a capital e inovação e primeira em capital humano, posição mantida desde a primeira edição do Índice, publicada em 2014.

Para dar continuidade ao bom desempenho, a administração da Capital vem investindo em capacitação para empresários e empreendedores e desenvolvendo ações para facilitar o acesso a crédito e formalização de negócios.

“Os resultados que verificamos são um reflexo de todas as ações e esforços para estimular não apenas o setor tecnológico, mas todo o ecossistema de negócios de Florianópolis, que já é reconhecido em todo país, como referência no assunto”, explica o Secretário de Turismo, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, Juliano Richter Pires.

São José, por sua vez, vem registrando números que comprovam a assertividade de ações implementadas pela administração municipal para estimular a economia, e além da ascensão dos parques industriais, vem mantendo aquecidos os segmentos da construção civil e de serviços.

“A multiplicidade econômica é uma característica peculiar da cidade de São José e corrobora para que tenhamos mais flexibilidade e equilíbrio dos setores. Além disso, estamos apostando constantemente em projetos que desenvolvam a cultura do ecossistema de inovação, atraindo cada vez mais investidores e empresas para cidade, e consequentemente, mais empregos passam a ser ofertados aqui”, explica o secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Waldemar Bornhausen Neto. 

Por conta disso, de acordo com o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) (um estudo anual criado para acompanhar o desenvolvimento humano, econômico e social dos municípios  do Rio de Janeiro e do Brasil), São José aparece entre os 300 mais desenvolvidos do País, ocupando a 258ª posição nacional e 25ª no Estado (Florianópolis figura nas 47ª e 5ª posições, respectivamente, com 0,8584). O Índice dá notas de 0 a 1,0, levando em consideração três indicadores (emprego e renda, educação e saúde). Com isso consegue fornecer um retrato do nível de desenvolvimento de cada cidade e, assim, dar uma ideia sobre a qualidade de vida de seus cidadãos. A avaliação de São José (que alcançou 0,8159 pontos) corresponde aos municípios com alto desenvolvimento.

Tanto Florianópolis quanto São José aderiram ao Programa Cidade Empreendedora, uma iniciativa do Sebrae/SC que é executada em parceria com as administrações municipais. Estruturado a partir da implantação de políticas de desenvolvimento nos eixos de desburocratização, educação empreendedora, atendimento ao empresário, gestão de projetos e planos de desenvolvimento econômico, o programa tem como objetivo promover o desenvolvimento sustentável da cidade, e algumas ações já estão sendo implementadas.

 

Em Destaque: Vista aérea. Foto:Mario Roberto Duran Ortiz – CC 3.0/ Divulgação

 

Florianópolis define eixos estratégicos de ação

Para estimular ainda mais a área de negócios no município, a Prefeitura de Florianópolis tem colocado em prática diversos projetos relacionados ao empreendedorismo como programas de incentivo à inovação, formalização, capacitação, mutirão de atendimento e de facilitação no acesso ao crédito. Em dois anos, a administração municipal, por meio da Secretaria de Turismo, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, realizou eventos abertos aos empreendedores em diversas comunidades do município, e de acordo com o Secretário de Turismo, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico da Capital, Juliano Richter Pires, os resultados são extremamente positivos.

“Conseguimos capacitar mais de 1,5 mil empresários, fomentar a abertura de mais de oito mil novos negócios e proporcionamos a formalização de 15 mil microempresas”, conta.

Em janeiro de 2019, a prefeitura recebeu o Plano de Desenvolvimento Econômico Municipal (Pedem), elaborado pelo Sebrae/SC a partir do Programa Cidade Empreendedora. O plano identificou e mapeou cinco eixos estratégicos que demandam políticas e ações públicas para promover e estimular o desenvolvimento da Capital nos próximos dez anos: Turismo Comércio, Economia Criativa e do Mar; Tecnologia da Informação e Comunicação; Tecnologia em Saúde e Bem Estar; Nanotecnologia e Novos Materiais, e Energia. Na avaliação do prefeito Gean Loureiro, o plano mostra que Florianópolis é um ambiente seguro de investimento e que apresenta um potencial de crescimento ainda maior.

“Com o mapeamento das fragilidades que o estudo apresenta, as ações para aprimoramento de cada uma das áreas estratégicas para o município serão mais efetivas e assertivas, alcançando bons resultados”, afirma Loureiro.

A administração recebeu, também, o Levantamento de Oportunidades no município (que lista as principais áreas geradoras de novos negócios) e o Plano Estratégico de Gestão Municipal, que traz os projetos e ações de fomento no desenvolvimento econômico da Capital.

Segundo o superintendente de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura, Piter Santana, o Pedem apresenta 54 demandas distribuídas nos cinco eixos estratégicos, algumas iniciadas ainda em 2018.

“As demais serão trabalhadas trimestralmente por meio de ações em conjunto, unindo prefeitura e sociedade civil”.

Outra ação implementada pela Prefeitura – e tratada como uma das ‘meninas dos olhos’ da administração – é o Programa “Juro Zero Floripa”, que concede empréstimos sem juros de até R$ 7 mil reais para Micro Empreendedor Individual (MEI) e até R$ 10 mil para microempresas com sede em Florianópolis. Caso as parcelas do empréstimo sejam pagas em dia pelo microempreendedor, os juros são por conta da propositora do programa (prefeitura). Segundo o secretário Pires, esse modelo de empréstimo é o primeiro no país a ser realizado por um governo municipal, e teve grande aceitação.

“Lançado em agosto de 2017, no final de 2018, com pouco mais de um ano de atuação, o Juro Zero já havia concedido cerca de R$ 750 mil reais para mais de 195 empreendedores”.

Além destas ações, o superintendente Piter Santana destaca o Programa de Qualificação para Exportação, realizado pela prefeitura e pela empresa Apex em parceria com o Instituto de Apoio à Inovação, Incubação e Tecnologia (Inaitec), que tem como objetivo prestar auxílio no processo de internacionalização de empresas por meio de consultoria especializada, visando ampliar as condições de internacionalização dos negócios.

Segundo Santana, é comum que empresas que nunca exportaram seus produtos tenham dúvidas, algumas simples e outras mais específicas, e por meio da metodologia de qualificação para exportação, os técnicos extensionistas realizam um diagnóstico detalhado das empresas inscritas no programa, elencando pontos fortes e oportunidades de melhorias.

“Ao final do atendimento, que dura aproximadamente 38 horas, a empresa recebe um plano de exportação para orientar a sua inserção internacional. Além de promover produtos e serviços brasileiros no exterior, a exportação é importante também para o município, uma vez que estabelece a possibilidade de atrair investimentos estrangeiros em setores estratégicos da economia local”.

São José investe em burocracia menor e gestão

Em janeiro de 2018, São José formalizou sua adesão ao Programa Cidade Empreendedora, do Sebrae/SC. Lançado em abril do mesmo ano, o Programa tem como meta a efetivação de uma serie de ações a serem executadas em parceria com diversas entidades e organizações, consideradas os‘principais atores de desenvolvimento do município’, entre elas a Associação Empresarial da Região da Grande Florianópolis (Aemflo)/CDL São José.

A exemplo do que foi proposto na Capital, o Programa é estruturado a partir da implantação de políticas de desenvolvimento em segmentos distintos, visando sempre estimular o desenvolvimento econômico e promover o desenvolvimento sustentado da cidade.

No caso de São José, as propostas são relacionadas à desburocratização e agilização de processos, educação empreendedora, atendimento ao empresário, gestão de projetos e planos de desenvolvimento econômico, e foram elencadas, no total, 34 iniciativas que englobam oficinas, cursos de formação e atualização, e uma série de ações que visam à mudança de cultura administrativa.

“Nesse sentido, essa parceria com o Sebrae/SC vem ao encontro das premissas da nossa gestão, que buscam estimular o empreendedorismo formal no município a fim de fomentar o desenvolvimento socioeconômico de São José”, destaca a prefeita Adeliana Dal Pont.

Após a realização do estudo inicial, em dezembro de 2018 o Sebrae/SC entregou à administração municipal o Plano de Desenvolvimento Econômico (Pedem)/São José e o Levantamento de Oportunidades, que tem como finalidade apontar o perfil econômico de São José e mostrar quais atividades podem ser desenvolvidas para atrair novos negócios para a cidade, e contou com a participação da sociedade civil empresarial, que levantou questões acerca das dificuldades, oportunidades, tendências e possibilidades ao se investir em São José. 

Adeliana lembra que ao assumir a administração de São José, em 2013, a prefeitura contava com 30% de recursos próprios para a implementação de ações, e que atualmente o município possui mais de 52% da capacidade de investimento com recursos próprios, uma realidade bem diferente da verificada na maior parte dos municípios brasileiros. Após investimentos em educação e saúde – que contribuíram para elevar o  Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) – chegou a hora de olhar para o eixo do desenvolvimento.

“Vamos encontrar caminhos para construir uma São José melhor para todos e elevar a cidade ao patamar que ela merece, que permita a todos os cidadãos viver com mais qualidade e prosperar economicamente”. 

Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de São José, Waldemar Bornhausen Neto, entre as ações previstas pelo Programa Cidade Empreendedora que já estão em curso é possível destacar a implantação da Sala do Empreendedor, o início da execução do Pedem, o incentivo aos produtores locais da agricultura familiar para a venda de produtos para a merenda escolar e a elaboração de uma portaria para a desburocratização do processo de aberturas de novas empresas no município.

“A expectativa é que, a partir deste Plano a cidade conquiste uma visão compartilhada das prioridades dos eixos estratégicos e que as entidades de classe, governo e demais instituições e lideranças se organizem para sua implantação”.