As notícias são estimulantes. De acordo com as previsões de organismos e entidades, teremos um crescimento da economia brasileira, ainda tímido em 2018 (depois de anos de quedas, este ano o percentual deve chegar a 1,4%), mas os números são bastante promissores para 2019.

Números apontam que país volta a crescer, criando ambiente propício para novos negócios


As notícias são estimulantes. De acordo com as previsões de organismos e entidades, teremos um crescimento da economia brasileira, ainda tímido em 2018 (depois de anos de quedas, este ano o percentual deve chegar a 1,4%), mas os números são bastante promissores para 2019. Na primeira semana de novembro, por exemplo, os dois maiores bancos privados do País revisaram os números anunciados anteriormente e, enquanto o Itaú projeta agora um crescimento 2,5% em 2019 (acima dos 2% previstos no início do segundo semestre), o Bradesco elevou de 2,5% para 2,8% a previsão do PIB do próximo ano. Segundo as duas instituições, a melhora é sustentada por condições financeiras mais satisfatórias, e ambas ressaltam a importância do ajuste das contas públicas para a manutenção de um ritmo de crescimento elevado.

É bem verdade que há ainda algumas incertezas na economia, mas também é verdade que o cenário que se desenha é bem mais otimista do que os de 2017 e 2018, e nada mais natural que isso encoraje investimentos em negócios existentes e empreendedores a tirar o projeto do negócio próprio do papel. Segundo a gerente de contas da Investe/SC, Joice Denise Schafer, mensalmente a entidade realiza pesquisas com os industriais para verificar o nível de confiança em relação ao mercado catarinense e as intenções de investimento, e a positividade vem se mantendo.

Criada a partir de uma parceria entre o Governo do Estado e a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), a Investe SC é uma agência dedicada à promoção do desenvolvimento socioeconômico do estado, buscando atrair investimentos e incentivar novos negócios. Só em 2018, foram anunciados investimentos na ordem de R$ 5,34 bilhões em empresas no Estado (veja quadro).

“Cerca de 50% dos investimentos anunciados nos últimos 15 anos em Santa Catarina foram de expansão, relacionados à ampliação ou modernização de negócios locais. Logicamente em termos de valores, esse percentual não corresponde a 50%, mas em termos de projetos anunciados é um número bastante significativo e demonstra a força das nossas empresas”, explica Joice.

Segundo a gerente, a Docol (empresa fundada em Joinville em 1956 e especializada em materiais de instalação predial hidráulica), por exemplo, deve investir na ampliação de produção até o início de 2019, gerando cerca de 150 empregos diretos, e está desenvolvendo um segundo projeto de financiamentos junto à Agência – esse com o objetivo de entrar em um novo mercado – com igual projeção de geração de empregos.

Segundo Joice, a maior parte dos contatos realizados com empresas para viabilizar financiamentos e investimentos é focada nos chamados “setores prioritários” para o Estado (oito no total), que tendem a apresentar um grande desenvolvimento: setores automotivo e autopeças, economia do mar, energia, logística, metal-mecânico, químico, saúde e tecnologia da informação e informação, todos interligados pelo eixo da inovação.

“Mas isso não é um fator limitador. Quando buscamos uma empresa para trabalhar, a ideia é que se traga para o Estado um produto novo, uma tecnologia nova ou um processo inovador. Assim estamos sempre incentivando a complementação de nossa cadeia produtiva”, afirma.

Equipe técnica da Investe/SC
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É preciso fazer lição de casa para minimizar riscos


Mas como reconhecer negócios lucrativos para o ano que se aproxima? Como escolher um segmento para empreender, minimizando riscos?
Ficar atento às tendências do mercado, planejar os caminhos mais vantajosos para o seu negócio e se capacitar no segmento são os passos iniciais. Ou seja, preparar-se para a empreitada. De acordo com o analista técnico do Sebrae/SC, Jefferson Reis Bueno, falar em aproveitar as ‘oportunidades’ de negócio demanda, num primeiro momento, fazer a lição de casa.

“A ordem agora é elaborar um bom ‘design thinking’, que tem como objetivo estimular o empreendedor a pensar “fora da caixa”, analisando todos os envolvidos no projeto: concorrentes, consumidores, fornecedores, parceiros e investidores. E, é claro, ter uma boa gestão e uma estratégia de marketing apurada”, explica, justificando que se trata de uma abordagem que facilita o processo de gerar idéias, sejam elas relacionadas a negócios tradicionais ou inovadores. “O próximo ano é, sim promissor, mas em se tratando de negócios, você pode errar no papel, mas jamais no mercado”, explica.

É claro que há apostas de segmentos ou nichos que devem crescer, ou mesmo continuar crescendo, mas segundo Bueno, considerando-se o nível de exigência cada vez mais crescente dos consumidores, é imprescindível fazer bem e fazer diferente, ampliando não apenas a oferta de serviços, mas também de experiências.

Diretor de inovação da Softplan, Marcelo Fett aposta, por exemplo, na força do setor tecnológico e na ampla cadeia de infraestrutura para o próximo ano. “Não falo apenas na infraestrutura de obras, mas na cadeia como um todo. O País tem tudo para entrar num período de crescimento e, nesse cenário, esses segmentos devem ser beneficiados. Um dos grandes desafios para a economia brasileira é tornar-se competitiva, e isso significa aumentar a produtividade, o que corresponde a fazer mais com menos”, explica. Para Fett, tecnologia e inovação são caminhos para diminuir despesas e aumentar receita, produzir mais com menos recursos, sejam eles humanos ou financeiros. “Considero que o ‘ ouro’ desta nova era que estamos vivendo é o conhecimento, e o que vai gerar riqueza são os dados aos quais temos acesso e o que vamos conseguir fazer com eles”, afirma.

Marcelo Fett, Diretor de inovação da Softplan
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Como conquistar o novo consumidor


Na onda de fazer melhor e diferente, Jefferson Bueno, analista técnico do Sebrae/SC, explica que existe atualmente uma tendência junto aos consumidores, que estão cada vez mais empoderados, bem informados e preocupados com a saúde, a sociedade e o ambiente, e por isso optam por negócios e empresas com responsabilidade socioambiental.

“Essa já é uma tendência muito forte na Europa e está se consolidando no Brasil, gerando uma mudança total de comportamento. O consumidor, inclusive, aceita até pagar um pouco mais se a empresa segue essa linha de atuação: com responsabilidade no contratar, que dá destino certo aos seus resíduos, que zela pelas relações com clientes e fornecedores”, explica.

Por conta dessa tendência, há microsegmentos da economia que têm, à sua frente, um terreno fértil para crescer, e nesse universo o consultor do Sebrae/SC destaca os “clubes de assinatura”. Segundo Bueno, trata-se de um nicho que se tem firmado por permitir versões em diferentes segmentos.

“É apenas uma forma diferente de comprar: não é uma relação direta, do tipo comprou-levou, mas, sim, a compra de um produto que chega às mãos do consumidor por meio de uma prestação de serviços. E é o que os consumidores procuram atualmente”, explica.

Além dessas alternativas de negócios, Bueno aponta as microcervejarias artesanais, restaurantes e empresas que trabalham com alimentação saudável, opções de economia compartilhada, beleza e, o ainda imbatível mercado pet. “O Brasil é o terceiro mercado consumidor de produtos pet, e apesar de o espaço ainda ser dominado por lojas de pequeno porte, percebe-se a expansão dos ‘shoppings’, que agregam serviços extras à venda de produtos, potencializando vendas e fidelizando clientes”, explica. O importante, segundo ele, é encantar esse consumidor, que pelas facilidades disponibilizadas pelas compras online, em um ‘clic’ do mouse pode mudar de fornecedor. Criar novas e agradáveis experiências, portanto, é fundamental, tanto para quem deseja empreender quanto para quem deseja revigorar um negócio já existente.

Jefferson Reis Bueno, Analista técnico Sebrae/SC
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Setores com maior potencial


1. Alimentação saudável
Esse mercado tem apresentado um crescimento constante nos últimos anos e, confirmando-se a tendência, os negócios neste segmento tendem a conquistar bons resultados. Entre os anos de 2012 a 2016, o setor alimentos e bebidas saudáveis teve, em média, crescimento de 12,3% ao ano, e só em 2016 o segmento contabilizou R$ 93,6 bilhões em vendas no Brasil.

2. Clubes de assinatura
Modalidade de negócio que se tornou popular no Brasil. Segundo a Associação Brasileira dos Clubes de Assinatura, em 2017, já havia 350 empresas no país, trabalhando com itens para pets, alimentos saudáveis, vinhos, queijos e livros, entre outros. Dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico mostram que em 2014, o faturamento dos clubes somava R$ 430 milhões. Quatro anos depois, a expectativa é fechar 2018 com R$ 782 milhões – o que corresponde a um incremento de 8% em relação ao ano passado.

3. Mercado pet
Independente dos altos e baixos da economia no Brasil, o mercado de produtos pet tem permanecido estável. Além disso, vários tipos de negócios se encaixam nesse segmento: pet shops, lojas especializadas, clínicas veterinárias, marcas de produtos e alimentos para animais, profissionais para realizar passeio, banhos em domicílio, adestramento, creches e etc. De acordo com o Instituto Pet Brasil, em 2017 mais de R$ 25 bilhões circularam pelo segmento.

4. Microcervejarias
Além de estarem inseridas em um mercado em expansão, as microcervejarias foram enquadradas, em 2018, no Simples Nacional, regime tributário simplificado para pequenos negócios (LINK).

5. Economia compartilhada
No mercado, a economia compartilhada abre espaço para a inovação e, consequentemente, para a concorrência. Por isso, a tendência é que esse modelo cresça cada vez mais. Empresas como Uber e Airbnb comprovam que a economia compartilhada é uma boa aposta. Segundo estimativas da consultoria PwC, a economia compartilhada movimentará, ao redor do globo, 335 bilhões de dólares em 2025  — 20 vezes mais em relação a 2014.