Considerados uma epidemia global, crimes cibernéticos já atingem 65% da população adulta, suscitam a realização de debates e demandam cuidados extras de usuários.

Considerados uma epidemia global, crimes cibernéticos já atingem 65% da população adulta, suscitam a realização de debates e demandam cuidados extras de usuários

Uma pesquisa recente da Kaspersky Lab (empresa russa produtora de softwares de segurança para a Internet, que distribui soluções para segurança da informação contra vírus, hackers, spam, trojans e spywares) revela que um terço dos brasileiros não sabe como proteger a sua privacidade online. Não por acaso, o Brasil é o segundo país com maior número de casos de crimes cibernéticos, somando mais de 62 milhões de pessoas afetadas.

Mas de acordo com o Relatório de Crimes Cibernéticos Norton: O Impacto Humano, divulgado no ano passado, esses crimes não são uma prerrogativa de nosso país: ao expor a extensão de acontecimentos registrados em maior quantidade não apenas por aqui, mas também na China, Índia, Nova Zelândia e Estados Unidos, o estudo mostra que se trata de uma epidemia global, que já atinge 65% da população adulta. Vírus de computador e ataques de malware são as complicações mais comuns, mas ataques de phishing, roubo de perfis de redes sociais e fraude de cartão de crédito também estão na lista dos problemas detectados no relatório, comprovando que, cada vez mais, trata-se de um assunto de extrema relevância para a sociedade, que precisa ser debatido e esclarecido em detalhes.

Há várias e boas iniciativas nesse sentido, e para conscientizar a sociedade envolvida e ajudar as autoridades na repressão a esse tipo de crimes, por exemplo, a Faculdade Energia (Fean) e a Comissão de Direito Digital da OAB/SC firmaram uma parceria, que terá como primeira ação o Debate sobre Crimes Cibernéticos e Ameaças Digitais, que acontece no dia 6 de junho, às 19h, no auditório da sede da OAB/SC, em Florianópolis.

O evento gratuito contará com a presença do advogado especialista em Direito Digital e Crimes Cibernéticos, Fernando Peres, membro da International Association for Artificial Intelligence and Law. Criador do projeto Segurança na Rede, Peres viaja o Brasil e outros países para falar a respeito do assunto.

“Nossa intenção é discutir essa modalidade de delito que cresce vertiginosamente no Brasil, chamar a atenção dos profissionais interessados no tema para buscarem qualificação na área e auxiliar também as autoridades no combate aos crimes cibernéticos”,

destaca a presidente da Comissão de Direito Digital da OAB/SC, Sandra Vilela.

No segmento acadêmico o assunto também tem merecido atenção. Segundo a diretora da Faculdade Energia (Fean), Maria Helena Krüger, grande parte desses crimes cibernéticos só acontecem porque falta conhecimento às pessoas com relação ao universo digital.

“Enquanto instituição de ensino, não podemos deixar de estar atentos às demandas da sociedade e percebemos que esta iniciativa é extremamente importante, uma vez que a redução de crimes cibernéticos passa pela educação digital”,

explica, acrescentando que em breve a instituição deve lançar um curso de pós-graduação voltado especialmente para o setor.

Além de Sandra Vilela e Maria Helena Krüger, também farão parte do debate o advogado especialista em Direito Constitucional e Direito Digital, Felipe Navas Próspero, o Delegado de Polícia titular da Divisão de Repressão aos Crimes de Informática da DEIC/Polícia Civil do Estado de Santa Catarina, Luiz Felipe Valles Rosado e o advogado membro e coordenador da Educação Digital da Comissão de Direito Digital da OAB/SC, Leonardo Cisne.

As inscrições são limitadas e para participar é necessário cadastrar-se no site http://www.oab-sc.org.br/cursos-eventos/2019/06/06/debate-sobre-crimes-ciberneticos-e-ameacas-digitais/3686 e doar um quilo de alimento não perecível no dia do evento.

Dicas para manter a privacidade e segurança na internet

Na Nova Zelândia, Brasil e China, seis entre 10 computadores estão infectados (61%, 62% e 65% das máquinas, respectivamente). Os números preocupam, e para evitar fazer parte das estatísticas negativas, os profissionais da área dão dicas para equilibrar privacidade e uso da tecnologia.

“Poder postar algo na internet é tentador, como compartilhar os momentos que são merecedores de destaque, desde uma foto até uma opinião. Está muito difícil mantermos a privacidade em meio a tanta tecnologia. Mas isso é bom? Não estamos nos colocando em perigo e expondo nossas vidas?”,

questiona Armando Kolbe Júnior, professor do curso de Investigação Profissional do Centro Universitário Internacional Uninter.

O especialista listou algumas dicas simples para auxiliar na preservação da intimidade e evitar assédios com o uso da internet e, principalmente, das redes sociais.

  1.       Atenção redobrada ao divulgar por meio de fotos e check-ins o endereço de residência ou lugares que frequenta. Uma dica útil é postar nas redes após sair do local. 
  2.      Evitar divulgar fotos de crianças, principalmente com uniformes escolares. Colocar apenas a imagem sem a localização pode ser uma alternativa para quem quer fazer postagens.
  3.      Evitar publicações que exponham placa de veículo.
  4.      Alterar a senha das redes sociais e e-mail periodicamente; o ideal seria fazer isso a cada três meses.
  5.      Analisar bem a pessoa que solicita amizade ou faz qualquer tipo de contato antes de adicioná-la nas redes sociais.
  6.      Ficar atento a e-mails, links e SMS falsos: fenômeno chamado de phishing, em que criminosos “pescam” os dados pessoais logo após o clique.
  7.       Utilizar o modo de navegação anônima para garantir mais privacidade. Disponível em navegadores como Firefox e Chrome. Neles, basta usar o comando Ctrl+Shift+N.
  8.      Manter softwares e antivírus sempre atualizados, pois os fabricantes costumam lançar atualizações que corrigem algumas falhas, inclusive contra vírus. 

Ilustração: Banco de Imagens