Do canteiro de obras ao pós-vendas, a tecnologia é aliada para aumentar competitividade de construtoras, incorporadoras e imobiliárias.

Do canteiro de obras ao pós-vendas, tecnologia é aliada para aumentar competitividade de construtoras, incorporadoras e imobiliárias


Após redução considerável no nível de vendas de empreendimentos prontos e no lançamento de projetos – consequência da estagnação econômica dos últimos anos – os setores da construção civil e imobiliário enxergam boas perspectivas a partir de 2019, baseadas em indicadores econômicos que projetam a retomada do crescimento do país, mesmo que de maneira mais lenta e gradual. Mas além dos cenários econômico e político, as empresas desses segmentos têm ainda outros desafios para vencer: ser mais eficientes, com custos e prazos menores, encantar os clientes, ter processos sustentáveis e manter a competitividade. A palavra de ordem, então, do canteiro de obras às ações de vendas e pós-vendas, é inovação. “O setor (da construção civil) ainda sofre com muitas deficiências operacionais e usa tecnologias defasadas. Isso abre espaço para que empresas novas enxerguem grandes oportunidades”, afirma Bruno Loreto, head do Construtech Ventures, fundo de investimentos voltados às startups, criado pela Softplan, de Florianópolis.

O cenário econômico que se desenha para o país este ano é favorável: segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) registrado em janeiro deste ano foi o maior desde fevereiro de 2014, o que reflete na perspectiva da recuperação financeira das famílias, com redução do endividamento e melhora no mercado de trabalho. Em outras palavras, os brasileiros estão predispostos a voltar a consumir em maior escala.

Especificamente no caso da construção civil, outro levantamento da FGV, desta vez em parceria com o Sinduscon-SP, aponta um crescimento de 2% no Produto Interno Bruto (PIB) do setor. O percentual, mesmo que tímido, irá significar o fim de um ciclo de cinco anos consecutivos de queda no nível de atividade do setor: entre 2014 e 2018, o PIB da construção encolheu 28%. Para o PIB nacional, a projeção do mercado financeiro em fevereiro era de 2,5% de incremento.

“Estamos confiantes na retomada de mercado, que sentimos desde novembro – no último bimestre de 2018, nosso resultado em vendas foi 35% superior ao mesmo período do ano anterior”,

afirma Thales Silva, diretor de Vendas da Rôgga Empreendimentos, de Joinville, que prevê o lançamento de 12 empreendimentos em 2019.

Mas somente o crescimento de 2% – a ser comemorado -, no entanto, não é o suficiente para que construtoras, incorporadoras e imobiliárias recuperem a rentabilidade dos negócios que tinham há alguns anos. Por isso, a necessidade está fazendo essas empresas despertar para os benefícios que tecnologias podem trazer, por exemplo, para a produtividade e competitividade. Conforme relatório do Mckinsey Global Institute, a produtividade da construção civil cresceu em média apenas 1% ao ano nas últimas duas décadas, índice bem abaixo do alcançado pela indústria de manufaturados (2,8%). O estudo aponta ainda o setor da construção no mundo todo deixa de faturar US$ 1,6 trilhão por conta da falta de eficiência e eficácia dos processos. Já estudo feito pela Harvard Business Review coloca a construção civil é o segundo pior setor em adoção de tecnologias digitais nos processos de negócios.

Construtechs

Essa realidade, no entanto, tende a mudar rapidamente. Do uso de dispositivos móveis como smartphones e tabletes até inovações como big data, realidade aumentada e tecnologia 3D, vale tudo para evitar desperdícios, tornar processos eficientes e mais baratos, conquistar o cliente. Incentivar o mercado de soluções inovadoras para os segmentos imobiliário e da construção gerou outro nicho de negócios, o da construtechs, startups que desenvolvem serviços e produtos para toda a cadeia produtiva – empreiteiras, construtoras, imobiliárias, escritórios de arquitetura, indústria de materiais e consumidor.

O Radar Construtech Ventures de Startups de Construção e Mercado Imobiliário 2018, lançado em novembro do ano passado, mapeou 562 startups no Brasil, sendo que Santa Catarina ocupa o segundo lugar com o maior número de iniciativas do gênero (79), ficando atrás apenas de São Paulo (230).

No mercado global, a estimativa é de 6 mil construtechs, sendo que 708 figuram entre as mais relevantes. Calcula-se que, em 2017, as cem principais construtechs movimentaram cerca de US$ 170 milhões em negócios, no mundo.

Santa Catarina desponta neste cenário em razão do ecossistema de inovação, um dos mais fortes do país e que inclui iniciativas como o Construtech Ventures, fundo de investimentos criado pela Softplan em 2017, e a Vertical Construtech, implantado ano passado pela Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) e que busca, por meio da união de startups com empresas consolidadas, criar inovação para gerar mais negócios para o segmento.

“A Construtech Ventures busca fomentar soluções para os desafios de infraestrutura do Brasil e é parte importante de um grande objetivo de negócio da Softplan: melhorar a experiência de viver em cidades e ambientes construídos para 1 milhão de pessoas até 2020, por meio de soluções tecnológicas aplicadas aos setores imobiliários e de construção. O potencial para isso é enorme, já que a construção é o segundo setor com menor uso de tecnologia no mundo”,

afirma George Lodygensky, analista de Investimentos do Construtech Ventures.

Com dez startups no portfólio (veja quadro), o objetivo é dobrar esse número até o final do ano. “Olhamos sempre para startups que atuam em toda a cadeia, desde a concepção do projeto até os mercados de decoração e reforma”, diz. “Se tivesse que enumerar algumas áreas em que temos um interesse especial, diria startups que trazem produtividade no canteiro de obra, que transformam a experiência de compra e venda do imóvel e que agregam valor à gestão e manutenção do espaço construído”. Lodygensky não abre números globais de aporte financeiro, mas informa que o investimento inicial em cada startup vai de R$ 500 mil a R$ 2 milhões.

“Em 2019, nosso objetivo é dar mais um passo na nossa visão de fomentar a transformação digital desse setor. Se nos últimos dois anos o nosso foco foi incentivar o crescimento do número de construtechs com a publicação dos nossos mapas, estudos e eventos, nesse ano estamos trabalhando em algumas iniciativas para que mais investidores virem seus olhares para startups desse setor”.

SAIBA MAIS
As startups do portfólio da Construtech Ventures

Coteaqui – Plataforma para cotação de material de construção online para construtoras. A “Amazon” dos materiais de construção.

Bider – Plataforma web de geração e qualificação de leads para o mercado imobiliário. Coloca em contato potenciais compradores e imobiliárias, construtoras e incorporadoras que podem oferecer imóveis de acordo com as necessidades das pessoas.

Infraspeak – Plataforma inteligente de manutenção de edifícios e máquinas. Conecta todos os setores responsáveis pelo serviço com um software em nuvem, agilizando a comunicação e eliminando a necessidade de gastos com papel.

Buildin – Plataforma de eventos e informação sobre inovação e tecnologia no setor de construção.

Urbenx – Fintech especializada na gerencia financiamentos imobiliários, para adequá-los às melhores condições para compradores e instituições financeiras.

Zero Distrato- Algoritmo que utiliza inteligência artificial para que construtoras e incorporadoras consigam prever o risco de distrato em seus contratos com até 1 ano de antecedência e até 97% de precisão.

Vendo Meu Terreno – Primeiro marketplace de terrenos para empreendimentos do Brasil.

Reforma Feita – Solução que ajuda síndicos e administradoras a orçar, planejar e acompanhar reformas condominiais.

Intellead – Usa machine learning para identificar, a partir do comportamento online, as pessoas que têm mais chances de fechar um negócio digitalmente – chamadas de leads no jargão do marketing online.

EmCasa – Plataforma de compra e venda de imóveis de forma simplificada.

 

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