É praticamente senso comum a ideia de que a economia colaborativa vem avançando a partir das experiências bem-sucedidas apresentadas por empresas que iniciaram pequenas e, em sua maioria, para atender necessidades pontuais de seu fundadores.

NOVAS TECNOLOGIAS, ESCASSEZ DE RECURSOS E QUESTÕES ECONÔMICAS SÃO A BASE PARA NOVO PADRÃO DE CONSUMO QUE GERA, POR SUA VEZ, MODELOS DE NEGÓCIOS DESAFIADORES.


Esta é a realidade que já entrou em nossas casas e escritórios: cada vez mais empresas estão nascendo com o DNA da economia colaborativa e possuem, por essência, a premissa de atender as necessidades da sociedade sob um olhar mais humano, menos capitalista, sabendo que o sucesso financeiro é consequência dessa nova forma de enxergar e colocar em prática as oportunidades.

Mas, afinal, o que caracteriza realmente essa prática, e quais seus efeitos para o mundo dos negócios? Segundo o coordenador de Inovação e Empreendedorismo da Faculdade Estácio Florianópolis, professor Henrique Otte, o entendimento fica mais fácil quando comparamos o movimento de hoje com o modelo econômico anterior (e ainda existente), fundamentado a partir de uma visão de eficiência, centralização e massificação industrial mecanicista.

“Se anteriormente poucos indivíduos concentram grandes forças produtivas, distantes de seus clientes, na economia colaborativa, ofertantes e demandantes se combinam em redes produtivas em que recursos e infraestrutura são descentralizados e compartilhados, e os clientes estão próximos ou mesmo dentro do processo produtivo”, explica.

É praticamente senso comum a ideia de que a economia colaborativa (ou compartilhada) vem avançando a partir das experiências bem-sucedidas apresentadas por empresas que iniciaram pequenas e, em sua maioria, para atender necessidades pontuais de seu fundadores. Foi, por exemplo, o caso da Uber (empresa prestadora de serviços na área do transporte privado urbano), que nasceu da dificuldade dos seus idealizadores em conseguir um táxi, numa tarde em Paris tomada por uma nevasca.

Outro exemplo de grande sucesso dessa nova forma de enxergar oportunidades é o Airbnb, um serviço online comunitário para que as pessoas possam anunciar, descobrir e reservar acomodações e meios de hospedagem, pensado a partir da dificuldade de seus fundadores em alugar um apartamento em São Francisco (na Califórnia, EUA).

Nascidas muito pequenas, Uber e Airbnb são, atualmente, as maiores empresas do mundo em seus segmentos e servem como fonte de inspiração para milhares de empresas que desejam crescer apostando nos princípios da economia colaborativa.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

NÚMERO DOS ESPAÇOS COWORKING NO BRASIL

Fonte: Coworking Brasil

O avanço dos espaços de coworking é outra prova de que as pessoas estão ampliando sua disposição para trabalhar compartilhando espaço, estrutura e conhecimento: entre 2015 e 2016 o número de escritórios compartilhados no Brasil cresceu 52%, e de acordo com o Censo Coworking 2017 (que reúne um estudo sobre o mercado de escritórios compartilhados brasileiros), em março daquele ano já eram 810 espaços no Brasil, representando um aumento de 114% em relação ao ano anterior.

Jefferson Reis Bueno
Coordenador estadual da Carteira de Projetos do Comércio e Economia Criativa do Sebrae/SC

“A economia colaborativa faz parte da essência do ser humano e o fenômeno que estamos vendo nos dias de hoje é uma volta às origens da sociedade, que está enxergando novamente ‘valor’ nas relações de complementariedade e de troca”, afirma Jefferson Reis Bueno, que é coordenador estadual da Carteira de Projetos do Comércio e Economia Criativa do Sebrae/SC.

Segundo ele, a disseminação deste tipo de negócio é resultado do alinhamento de inúmeros fatores, todos eles características do momento em que vivemos: escassez de recursos, crise econômica e conflitos de valores. Mas, sem dúvidas, o mais importante de todos, e que sempre foi o precursor de grandes transformações, está relacionado às tecnologias de informação e comunicação.

“O acesso a plataformas digitais provocou um empoderamento da sociedade como jamais visto e gerou uma radical mudança nas relações de consumo. Isso acabou criando um ambiente propício à estimulação de negócios voltados à economia colaborativa”, diz.

Seguindo essa mesma linha de pensamento, Henrique Otte explica que, graças aos avanços das tecnologias de comunicação, indivíduos passaram a se comunicar diretamente, compartilhar experiências e praticar trocas sem a necessidade e interferência direta de grandes empresas: grupos de consumidores se formaram e passaram a trocar impressões e avaliações não apenas sobre os produtos e serviços, mas também sobre os valores das empresas por trás dos mesmos, suas preocupações com o desenvolvimento sustentável e possibilidades de valorizar produtos locais.

Henrique Otte
Coordenador de Inovação e Empreendedorismo da Faculdade Estácio Florianópolis

“Assim vem se desenvolvendo a nova economia, não com um único e marcante acontecimento, mas a partir de um conjunto de tecnologias e comportamentos que se desenvolveram e levaram ao empoderamento do ser humano que ativamente busca satisfazer suas necessidades, que se sobressai em relação ao cliente que simplesmente consome de forma passiva”, pondera.

LOGÍSTICA COMPARTILHADA: MAIOR EFICIÊNCIA E MENOR CUSTO


SEGUNDO HBSIS SOLUÇÕES, PRODUTIVIDADE, SATISFAÇÃO DO CLIENTE E MENOR GASTO COM COMBUSTÍVEL ESTÃO ENTRE AS VANTAGENS

Empresa de soluções em logística sediada em Blumenau, a HBSIS Soluções desenvolve sistemas que atendem principalmente atacadistas distribuidores, que atuam na indústria de bens de consumo e, no ano passado, lançou uma plataforma completa de sistemas integrados de logística que dão apoio no gerenciamento e tomada de decisão, indo além do armazém e chegando até a entrega final do produto. Trata-se de uma proposta pensada para dar mais eficiência à logística como um todo, compartilhada ou interna, com acesso e armazenagem na nuvem, mobilidade e integração.

Fabiana Reinert, gerente comercial da HBSIS, destaca que embora o compartilhamento de soluções entre as empresas seja um movimento sem volta, esta plataforma, especificamente, não foi pensada exclusivamente para a logística compartilhada.

Fabiana Reinert
Gerente comercial

“Atualmente, a maioria das companhias brasileiras ainda realiza o processo logístico internamente, porém o compartilhamento de soluções é uma tendência, especialmente no que diz respeito à redução de custos”, explica Fabiana. “Foi a partir daí que visualizamos a oportunidade de ampliar nossa atuação neste mercado”.

Tendência ou não, ainda existem barreiras para que as empresas efetivamente apostem na logística compartilhada, mas, na maioria dos casos, o que falta é o acesso a informações que mostrem as oportunidades e benefícios desse tipo de solução, segundo Fabiana.

A partir do momento em que a companhia tem em mãos informações sobre o trabalho de um possível parceiro, como, por exemplo, rotas que possam ser compartilhadas e volume desse trabalho, fica muito mais fácil optar pela logística compartilhada, uma vez que, além do controle de informações em tempo real – o que facilita a tomada de decisões – há a redução de custos, otimização do sistema logístico, melhor aproveitamento de recursos (sejam eles relacionados a frotas ou mão de obra) e redução de desperdício de tempo e materiais.

“Temos indicadores que apontam, por exemplo, aumento de 50% na produtividade das equipes envolvidas com as operações, 40% da redução de devoluções – o que garante mais eficiência em todo o processo logístico, além de satisfação do cliente final -, e 30% de redução no gasto com combustíveis graças às rotas otimizadas e mapas atualizados, e juntas, todas essas ações geram, ainda, um percentual de 10% da redução de horas extras.

Basta mostrar os resultados que as empresas alcançarão para que os gestores percebam que o ganho é contínuo e essa resistência seja quebrada”, avalia Fabiana.

A HBSIS contabiliza mais de 200 clientes atendidos – entre eles, Ambev, Votorantim Cimentos, Ultragaz, DMüller Distribuidora, Codical Atacadista e BRF – e um percentual de crescimento de aproximadamente 20% ao ano nos últimos cinco anos.

E está em processo de expansão: está implantando unidades em Maringá (PR) e Campinas (SP), e em 2017 deu início a um processo de internacio¬nalização. Atualmente já tem projetos em uso em países como México, Colômbia, Bolívia, Paraguai e Argentina.

“A expectativa é, além de fortalecer nossa marca nacionalmente, ampliar nossa atuação fora do Brasil. Em 2018 devemos chegar a mais de 500 profissionais, com perspectiva de contratação de mais de 80 pessoas”, conclui Fabiana Reinert.

 
A HBSIS oferece oito sistemas integrados, todos disponibilizados na plataforma da empresa:

Gestão de entregas: auxilia no gerenciamento, rastreabilidade e visibilidade do status das entregas programadas, tudo em tempo real.

Monitoramento Logístico: permite o monitoramento em tempo real das viagens, do carregamento à entrega final, com opção de chat direto da frota com a central.

Unidocs: garante a emissão e o gerenciamento dos documentos necessários para transporte e entrega de mercadorias. Garante o uso de documentação atualizada automaticamente e em acordo com a legislação vigente.

Roteirizador: algoritmo inteligente que planeja rotas com base nos parâmetros cadastrados e mapas atualizados, reduzindo custo por quilometragem rodada e evitando atrasos.

Gestão de frotas: solução mobile que permite o acompanhamento e inclusão de diversas informações e indicadores relacionados os veículos, como desgaste de pneus, rodízios programados, apólices, IPVA.

Picking mobile: solução móvel que facilita a gestão do estoque, em processos de separação e carregamento e acompanhamento da montagem dos pallets em tempo real.

Controle de jornada: auxilia a empresa no controle da rotina diária do motorista, realização de paradas e no cumprimento à legislação trabalhista.

JOGO DO GANHA-GANHA


LINK LAB APROXIMA ATARTUPS DE GRANDES EMPRESAS, TRAZENDO VANTAGENS PARA TODOS
Silvio Kotujansky
Vice-presidente de Mercado da Acate

“O setor de tecnologia e inovação de Santa Catarina vem, ano após ano, consolidando uma posição de referência nacional no segmento, e tornou-se muito natural que empresas de médio e grande porte que tivessem necessidade de inovar nos procurassem para estar conectadas com o nosso ecossistema e, principalmente, com startups”.

É assim que o vice-presidente de mercado da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), Silvio Kotujansky, explica o surgimento e o grande sucesso alcançado pelo Link Lab, primeiro espaço criado para aproximação entre startups e grandes companhias no Estado.

O principal valor deste programa de inovação aberta, segundo Kotujansky, é permitir que as empresas, cada uma com seu segmento e propósito, possam se familiarizar àquele meio, onde buscam não apenas o aumento da cartela de serviços e produtos, mas principalmente novas metodologias e formas de inovação para seus processos internos.

A primeira turma do Link Lab teve início em agosto de 2017, e a “incubação” durou até dezembro, possibilitando trocas bastante produtivas entre “dois mundos” que normalmente parecem muito distantes: de um lado, startups com metodologias ágeis, disruptivas e inovadoras, e de outro, empresas que possuem muita experiência de mercado, e uma vasta gama de clientes.

Um dos cases citados pelo executivo da Acate é o da Imobiliária Brognoli, que a partir do contato com duas startups está desenvolvendo novas soluções, uma delas focada no bem-estar dos colaboradores (em parceria com a Go Good), e uma segunda (com a Izee), que se trata de uma nova tecnologia de relacionamento com o cliente.

Na avaliação de Silvio Kotujansky, os ganhos acontecem – e são perceptíveis – para os dois lados: no caso das grandes e médias empresas, sem dúvidas, o maior ganho é o convívio e a possibilidade de melhorias em seus processos, enquanto para as startups, a conexão a empresas estáveis é um impulso extra para fazer crescer o negócio, seja por meio de validação, parceria, aquisição de clientes e/ou investimento.

E há, também, os ganhos registrados a partir de outros benefícios que o programa oferece como mentorias qualificadas, cursos, apoio de parceiros nas áreas jurídica, contábil e comunicação, infraestrutura e workshops, além do contato com todo o ecossistema tecnológico catarinense.

“Entendemos que todos os envolvidos estão em processo de aprendizado, até porque não é nada fácil mudar uma cultura centenária de um dia para o outro. Porém, percebe-se uma mudança de pensamentos, e empresas que antes não possuíam setores de inovação, contato com startups, processos ágeis, dentre outros, agora já estão caminhando nessa direção, visando também sempre a parceria e acompanhamento das startups que estão com elas”.

E há cada vez mais empresas apostando na proposta de trabalho do Link Lab. Em torno de 500 empresas por dia chegam à associação buscando novas formas de se conectar com esse mundo de inovações em serie: atualmente, 10 grandes e médias empresas financiadoras estão presentes no Link Lab de Florianópolis, e a seleção das startups é realizada em três etapas, que se iniciam a partir da inscrição por meio de um formulário.

Ambiente do Link Lab no dia da inauguração em 2017

Num segundo momento, a própria Acate realiza uma triagem interna entre os inscritos, e a seleção final acontece após a submissão a bancas compostas pelas empresas e pela própria equipe da Acate. A ideia é expandir o programa para outras cidades catarinenses e mesmo para outros estados, buscando atender demandas que surgem diariamente. O programa, segundo Kotujansky, vem alcançando bons resultados, alinhados à realidade do mercado.

“Das 30 startups que ingressaram na primeira turma, em torno de 30% delas realizaram algum tipo de negócio com as grandes empresas. Muitas startups continuam em processo de negociação, outras continuaram na próxima turma a pedido das grandes empresas, e outras simplesmente saem sem êxito. Assim é o mercado”, finaliza.

 
Alguns dos projetos da Acate que fomentam a inovação:

Verticais de Negócios (12): Grupos de empresas do mesmos setor que atuam de forma colaborativa para desenvolver o seu mercado e suas empresas.

Link Lab: Programa de inovação aberta para conectar empresas de médio e grande porte com startups.

Incubadora MidTec: Quatro vezes escolhida como a melhor incubadora do Brasil.

Grupos temáticos: Sobre assuntos relevantes ao empreendedorismo como recursos humanos, tributação, internacionalização.

Rede de investidores Anjo: Acesso a fundos de investimentos.